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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quem faz mais sucesso com as mulheres: caras fortes ou magrelos?


Como quase tudo na vida, a resposta é: depende. Se for para curtir uma noite só, na balada, os bombados até levam a melhor. Mas quando o interesse envolve filho, família e casamento, os magrelos ganham a preferência das mulheres.
E isso é herança dos nossos ancestrais. Segundo um estudo da Universidade de Tennessee-Knoxville, nos Estados Unidos, quando os homens começaram a andar em grupos grandes e formar tribos, os caras mais magros, sem grandes atributos físicos, tiveram de encontrar um jeito de atrair a atenção das mulheres. Foi então que decidiram ganhar a disputa com um jeitinho especial: se dedicando exclusivamente a uma única mulher. E assim surgiu a monogamia.
Com proteção só para elas e comida garantida, elas perceberam que era mais negócio apostar em uma relação tranquila com os homens magrelos. Trocaram a vida ao lado dos fortões mulherengos pelo carinho exclusivo dos magrinhos.
De lá pra cá muita coisa mudou, e os caras sarados também tiveram de lidar com a monogamia, mas sempre sobram alguns resquícios
Será? E aí, leitoras, vocês preferem mais os homens musculosos ou os magrelos?

sábado, 2 de junho de 2012

Gramática contra as mulheres ...

As mulheres reclamam que a gramática no Brasil está contra ela........e elas não deixam de ter razão..
Veja alguns fatos que provam isso...............kkkkkkkkkkkkkkk








Cão : melhor amigo do homem
Cadela: Puta


Vagabundo: Homem que não faz nada
Vagabunda: Puta


Touro: Homem Forte
Vaca: Puta


Pistoleiro: Homem que mata pessoas
Pistoleira: Puta


Garoto de Rua: menino pobre que mora na rua
Garota de Rua: Puta


Homem da vida: Experiente, sábio
Mulher da Vida: Puta


O galinha: Bonzão, pega todas
A galinha: Puta

                                                  Para Finalizar:

Puto:Nervoso, Irritado, Bravo
Puta: Puta

                       Depois de ler tudo isso........

Homem: Dará Risadas
Mulher: ficará Puta

10 mortes mais bizarras do mundo ...

10. OLHA A FACA!
2005, MISSAUKEE (ESTADOS UNIDOS)
Abrimos nosso ranking com a história de Christopher, um rapaz de 19 anos que sentiu falta de algumas garrafas de licor em seu bar. Suspeitando do vizinho, ele teve uma brilhante idéia de vingança: iria se esfaquear e acusar o cara! Começou o auto-esfaqueamento: na primeira facada, tudo bem. Na segunda, a faca atingiu uma das artérias do coração, e Christopher foi beber licor em outra dimensão.
! Dias depois, a polícia inocentou o vizinho do roubo das garrafas – ele nem estava
na região quando rolou o crime.
9. HOLANDÊS VOADOR
2004, BLERRICK (HOLANDA)
Um garoto de 19 anos queria provar aos amigos que conseguia correr na mesma velocidade do carro em que estavam viajando – os caras estavam bem devagar, a uns 32 km/h. O plano era saltar, correr ao lado do carro e voltar num pulo. Só que, na hora em que o infeliz tocou o solo, caiu e bateu com a cabeça no asfalto. Um pequeno passo para o homem, um salto direto ao Darwin Awards.
! Para comparar, o jamaicano Asafa Powell, recordista mundial dos 100 metros rasos, corre a prova a 36,8 km/h.
8. É PROIBIDO FUMAR
2006, YORKSHIRE (INGLATERRA)
Quando um médico diz que você não pode fazer determinada coisa é melhor obedecer, né? Philip Hoe, um aposentado de 60 anos, estava fazendo um tratamento de pele à base de parafina e não podia fumar. Bobagem, um cigarrinho não faz mal a ninguém, pensou o cara. Philip acendeu o troço e aliviou-se com a nicotina no organismo. Maaaaas…
! O cara quis apagar a bituca do cigarro com o tênis – e tinha escorrido um pouco de parafina no pisante. Altamente inflamável, o produto transformou o inglês em uma tocha humana ao entrar em contato com a brasa.
7. UMA MENTE BRILHANTE
2003, SÃO PAULO (BRASIL)
Responsável pela limpeza de tanques de armazenamento de gasolina em caminhões, o brasileiro Manoel Coelho seguia o protocolo à risca: enchia os tanques de água para forçar a saída do vapor inflamável, um procedimento-padrão que evita explosões. Naquele 29 de janeiro de 2003 ele precisou checar o nível da água em um dos tanques. Como estava muito escuro, ele acendeu um isqueiro para clarear a área. Hummm…
! Ele descobriu da pior maneira – voando 100 metros pelos ares – que ainda havia combustível no tanque.
6. VELOCIDADE MÁXIMA
1997, DAGBLAD (HOLANDA)
Quer coisa melhor do que sair um pouco do escritório e tirar a cabeça dos problemas? Uma empresa na Holanda ofereceu um dia de passeio em grupo. Sabe quando o motorista do ônibus fica pedindo para não colocar a cabeça pra fora da janela? Dois funcionários resolveram sentir o vento nos cabelos, contrariando o sábio aviso.
! Infelizmente, havia um viaduto no meio do caminho. A cabeça deles não foi arrancada
de forma completa, como em um desenho animado – mas ficou suficientemente ferida para provocar a morte imediata de ambos.

5. O PILOTO SURGIU!

1997, SOROCABA (BRASIL)
O carregador Marcelo Dias dos Santos provou na prática a dureza do ditado “na hora errada, no lugar errado”. Distraído pelo som de um cd player, o cara pedalava sua bike numa boa quando foi atropelado e morreu. O fato não seria assim tão bizarro, não fosse o fato de o “veículo” ser um Sêneca, prefixo PT-RVA – ou seja, um avião bimotor, cujo piloto não viu o ciclista.
! Antes de culpar o aviador, não podemos deixar de mencionar que Marcelo estava pedalando pela pista do aeroporto da cidade…
4. MAR EM FÚRIA
1997, BUXTON (ESTADOS UNIDOS)
Buscando paz e sossego na praia de Outer Banks, na Carolina do Norte, o americano Daniel Jones resolveu cavar um buraco na areia e relaxar. Era um senhor buraco, de 2,5 metros de profundidade – o cara realmente queria privacidade! O problema é que a ressaca do mar não respeitou muito esse desejo: com a maré subindo, uma onda forte invadiu o buraco, levando uma mistura de água e areia pra cima do pobre Daniel.
! Vários banhistas tentaram abrir o buraco usando pás de brinquedo, mas não adiantou. Daniel Jones foi declarado morto no mesmo dia.

3. FRANGAMENTE!

1995, VILA DE NAZLAT IMARA (EGITO)
Sabe aquele programa antigo do Sílvio Santos em que o participante tinha os ouvidos tapados por um fone enquanto o “patrão” perguntava coisas do tipo: “Você trocaria sua vida por um frango?” Brincadeira, claro. Mas, no Egito, seis pessoas disseram “siiiiim” na vida real. Elas morreram afogadas em um poço, após mergulharem para tentar salvar uma galinha. Inicialmente saltou o dono do galináceo, que começou a se afogar. Depois, um parente depois do outro, tentando salvar o cara. O problema é que nenhum deles sabia nadar.
! Ah, sim, a galinha. Ela sobreviveu.
2. POR ÁGUA ABAIXO
2004, WOLFSBERG (ÁUSTRIA)
Depois de uma noitada regada a bebidas e drogas, um jovem austríaco voltava para casa, uma pensãozinha humilde na periferia. A causa da morte é até hoje um grande mistério, mas o que o dono da pensão viu na manhã seguinte ninguém imaginaria: o jovem havia morrido afogado na pia da cozinha. Aparentemente, ele resolveu entrar pela janela, acabou ficando preso e, na tentativa de se soltar, abriu a torneira.
! O que ninguém sabe é por que ele não entrou pela porta, já que foi encontrado com as chaves no bolso.
1. MULA SEM CABEÇA
1995, VARSÓVIA (POLÔNIA)
A morte campeã do ranking foi causada pelo motivo que mais leva os homens a fazer idiotices: a tentativa de impressionar as mulheres. Foi o que rolou com um grupo de beberrões na Polônia. Para fazer uma graça com as gatas do bar, eles começaram uma competição para saber quem era o mais macho. Um dos participantes pegou pesado ao cortar um pedaço do pé com uma motosserra! Temos um campeão? “Não, veja isso”, gritou o fazendeiro Krystoff Aznisnki, antes de levar a motosserra em sua direção e cortar a própria cabeça com o equipamento.
“Morreu como um homem”, disse um amigo. Será?

quinta-feira, 15 de março de 2012


O que tem na camisinha?

Bexiga de ovelha, intestino de carneiro, músculo de bárbaro assassinado, borracha de pneu. Tudo isso já serviu para impedir encontros indesejados entre óvulos e espermatozoides. Agora elas já vêm em spray - mas essas têm um probleminha


MUNDO ANIMAL
Além dos ingredientes aí em cima, já usaram até fibra de casco de tartaruga como camisinha. Mas nem tudo é história. Ainda existem preservativos de intestino de carneiro, pelo menos lá fora. E dá para comprar pela internet - um pacote de 12 da marca Trojan Natural Lamb sai por US$ 29 (fora impostos e frete). Mas cuidado com lobo em pele de cordeiro: ela não previne contra doenças causadas por vírus.


PRIMEIROS SOCORROS
Após um acidente de automóvel, um homem desesperado jaz no chão, praticamente sem respirar. Como salvar a vida dele? A solução está na ponta da língua de qualquer paramédico: uma seringa e uma camisinha. O preservativo é necessário para evitar que o ar externo entre enquanto a seringa é introduzida no peito do paciente para aliviar a pressão do tórax, o que faz a respiração voltar.


CASANOVA
No século 18, o "pequeno saquinho preventivo que os ingleses inventaram para acabar com a ansiedade no bom e velho sexo" ganhou um garoto-propaganda à altura: Giacomo Casanova. O conquistador veneziano, que foi até retratado em quadros da época soprando preservativos de cordeiro em busca de buracos, costumava lavar e pendurar as camisinhas no varal após o uso. Segundo ele, que é o autor da frase acima, a invenção deixava "a mente descansada".


FICÇÃO CIENTÍFICA
Camisinha de látex é coisa do passado. A onda agora é outra: camisinha em spray. Em comparação com os modelos de hoje, é quase namorar pelado. O rapaz introduz o pênis num recipiente que espalha o líquido e sai com uma camisinha sob medida. Ela foi lançada em 2009. E só tem um problema: demora 3 minutos para secar. E tem certos momentos em que 3 minutos parecem 3 horas...


DEFESA PESSOAL

Mesmo que os 12 bilhões de camisinhas produzidas no mundo por ano fossem enviadas à África, o problema da aids lá não seria resolvido. O continente em que ocorrem 3 em cada 4 mortes pela doença sofre com a violência sexual. Para combater os dois problemas, criaram a Rape-aXe: uma camisinha feminina com ganchos que se prendem ao criminoso e provocam dor em tentativas de estupro.

E se ninguém ficasse bêbado?


Beber, cair e, sim, levantar. Porque a ressaca estaria demitida de nossa vida. O dia seguinte à bebedeira não teria sobe e desce no estômago, cabeça latejando nem aquele sono de dar vergonha na firma. Só restaria uma secura na boca, porque álcool acaba com a hidratação do corpo. E, com o tempo, algumas marcas no fígado, que seguiria suscetível aos efeitos da birita. Mas isso para quem continuasse a consumir álcool. “As bebidas alcoólicas atraem as pessoas principalmente pelo relaxamento e pela extroversão que proporcionam”, diz Paul Roman, pesquisador do departamento de sociologia da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, e especialista no estudo do alcoolismo. Sem o efeito do pilequinho, o álcool competiria de igual para igual com sucos, refrigerantes e outras bebidas em quesitos como gosto e refrescância. E você talvez preferisse trocar a vodca por água de coco no boteco. “A vinicultura, por exemplo, só se desenvolveu porque a bebida levava a um estado de consciência que permitia às pessoas se soltar, debater ideias. Não pelo aroma ou pelo gosto”, diz a enóloga Alexandra Corvo. Com todo mundo eternamente sóbrio, happy hours não prejudicariam nem a imagem nem o desempenho de ninguém. Hoje o consumo de álcool afeta a concentração de 15% dos trabalhadores nos EUA, seja porque esse pessoal aparece bêbado na firma, chega de ressaca ou toma aquele drinque social no almoço. A concentração dos motoristas também ficaria intacta, o que poderia preservar a vida de até 15 mil pessoas todo ano no Brasil. Poderia, mas não chegaria a tanto. O uso de outras drogas possivelmente aumentaria, já que elas se tornariam um recurso para quem quisesse os efeitos hoje proporcionados pela birita.
Aí eu me afogo num copo de suquinho
Os bares estariam cheios de imitações da água que passarinho não bebe.

DORGAS, MANO
Nem todo mundo que bebe adotaria drogas. Mas a oferta delas cresceria, pois garantiriam um pileque. O número de viciados poderia chegar a 12% dos brasileiros, total hoje dependente de álcool.

MOMENTO RELAX
Calmantes seriam procurados por quem quisesse esquecer problemas ou dores de amor. A porcentagem de brasileiros que compram os remédios sem prescrição – hoje de 5,6% – provavelmente cresceria.

DOSE DE CORAGEM
Tímidos confiam no álcool para se desinibir – um em cada _ pacientes de fobia social recorre à bebida. Sem ela, buscaríamos de teatro a personal paquera para enfrentar desafios.

AMARELOU GERAL
Os que apreciassem o gosto do álcool e bebessem desenfreadamente sentiriam os efeitos no fígado. O consumo em excesso causa hepatite alcoólica, que compromete o órgão e deixa a pele amarelada.

MAIS AÇÚCAR NA CACHAÇA
Bebidas alcoólicas respondem por 30% da receita de casas noturnas e bares no Brasil, em média. Para ganhar dinheiro, essas empresas poderiam investir em drinques docinhos, que competissem com sucos e refrigerantes no paladar

Mãos femininas são mais sujas


Segundo pesquisadores dos EUA, as mulheres têm em média 50% mais bactérias nas mãos do que os homens. Isso acontece porque a pele da mulher é menos ácida, o que favorece a proliferação de microrganismos. No total foram identificadas 4 742 espécies de bactérias nas mãos dos participantes do estudo - algumas até 400% mais abundantes entre as mulheres.

O que acontece no corpo na hora do susto?

Todos os efeitos são herança genética de nossos ancestrais: mecanismos de reação a qualquer ameaça - real ou não


Imagem: divulgação
O susto é um mecanismo que alerta a pessoa para se salvar de uma possível ameaça. Toda reação tem esse objetivo. Por exemplo: trememos porque isso é um aviso para deixar o local do perigo. Veja outros efeitos causados pelo susto.

HORA DO TERROR


O susto é captado por uma área do cérebro associada à regulação de emoções. Ela aciona as glândulas suprarrenais, que liberam adrenalina e noradrenalina, provocando reações físicas.

O quê? -
Dilatação da pupila

Por quê? - Aumenta a captação de luz, o que pode ser vital.


O quê? - Aumento do peristaltismo (movimento que empurra a comida no corpo)

Por quê? - Para que um alimento sendo digerido não provoque um engasgo e vá para o pulmão, o que poderia levar à morte.


O quê? - Ereção de pelos e transpiração

Por quê? - O suor deixa o corpo mais difícil de ser agarrado. E pelos arrepiados assustavam os predadores.


O quê?
- Dilatação dos brônquios

Por quê? -
Capta mais oxigênio, essencial para situações de luta ou fuga.


O quê? -
Diminuição dos movimentos do intestino grosso

Por quê? -
Aumenta a captação de nutrientes que seriam excretados. Ter mais nutrientes significa mais energia.

O quê? -
Aumento de pressão do sangue

Por quê? - Junto com constrição de vasos e coração acelerado, transporta rapidamente energia, aumenta a circulação e evita hemorragias.

Fontes Márcia Lorena Chaves, do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia; Thiago Rivero, neuropsicólogo e pesquisador colaborador do Departamento de Psicobiologia da Unifesp; Célia Aparecida Roesler, membro da Academia Brasileira de Neurologia.

Faz mal comer o que acabou de cair no chão?

As afirmações que se ouvem desde criança como "Se pegar no instante que cai não tem problema" são pura bobagem



Sim, comer o que caiu no chão pode trazer problemas à saúde. Para Marcos Vinicius, infectologista do Instituto Emílio Ribas, de São Paulo, comida do chão só pode ser ingerida se for lavada. Senão, lixo. "É absurdo dizer 'O que não mata engorda'. Não existe princípio técnico e científico para essa afirmação", diz. Em 2006, pesquisadores da Universidade de Clemson, nos Estados Unidos, jogaram um tipo de mortadela em madeira, azulejo e carpete. O fluxo no carpete é mais lerdo que nos outros, mas nos primeiros instantes 99% das bactérias dos pisos já aderiram à comida. E essas bactérias causam doenças como hepatite A e disenteria, que podem até matar.

O chão da rua costuma ser mais sujo que o de casa. Mas não há pesquisas que mostrem o quanto sua calçada é mais perigosa que sua cozinha, porque tudo depende do lixo que há na região, o que pode variar de bairro para bairro, lembra Marco Antônio Lemos, doutor em ciências dos alimentos pela UFRJ. Mesmo assim, muita gente se arrisca. Marta Evangelista de Lima, do Conselho Federal de Nutrição, assume. "Já comi, estava na minha casa e sei em que circunstância estava. Se fosse em um hospital ou na rua não me arriscaria."
Mitos da sujeira
Verdades e mentiras da relação entre o chão que pisamos e aquilo que comemos

Comida seca suja menos que cremosa
Verdade. A cremosa permite maior crescimento microbiano. Mas a seca também fica contaminada. Imagine uma torrada e uma torrada com manteiga. Ambas caem da mesa. A sujeira fica visível na manteiga. Na seca, a aparência é de limpeza. Mas ela já está cheia de microrganismos.

Se ficou menos de 5 segundos no chão, não há perigo
Pura bobagem. O tempo de contato com o chão não interfere na contaminação microbiológica. Caiu, contaminou, independentemente do tempo de contato com o piso. Ainda mais se for na rua, mais contaminada do que o chão de casa.

Faz mal para você, mas não para o cachorro
Verdade. O cachorro tem maior resistência a alguns organismos nocivos ao ser humano. Um cão come comida de rua, mexe no lixo etc. Se uma pessoa fizer isso, tem muito mais chances de ficar doente.

Assoprar a comida retira a sujeira
Mito. Pode-se até retirar uma sujeirinha aparente. Mas a contaminação microbiológica continua. Além disso, o sopro leva ainda mais microrganismos para o alimento. Por isso não é recomendado assoprar a comida de um bebê.

Fontes: Cláudio Lima, mestre em tecnologia de alimentos e apresentador do programa Inspetor Saúde (SBT-CE); Marcos Vinicius, infectologista do Instituto Emílio Ribas; Marco Antônio Lemos, doutor em ciências dos alimentos pela UFRJ.

O trabalho de dormir

Desde que surgiu, o homem dorme - e ainda não sabe exatamente por quê. Mas a ciência já descobriu que dormir não é o contrário de estar acordado e que o cérebro não dome nem no sono


Há os que são felizes na cama, dormem bem obrigado, e passam o dia lépidos e fagueiros. Há também os que bocejam a todo instante, como se uma noite inteira de sono fosse pouco. Há ainda, é claro, quem rola e rola entre os lençóis e mal dorme. Só não há quem viva sem dormir. Sem comer, pode-se agüentar duas semanas ou mais ainda, como conseguem os campeões da arte de jejuar. Sem pregar o olho, morre-se em sete dias — presumem os médicos. Além de indispensável, o sono é certamente a atividade humana mais carregada de fascínio e mistério — a que desperta os mais primitivos temores, associados ao desconhecido, à desproteção e à morte. Ao mesmo tempo, é uma insubstituível fonte de prazer. Todos os vertebrados dormem. Os invertebrados, não; mas mesmo estes como os insetos, alternam períodos de ação e repouso. Apesar do muito que ainda falta saber sobre os mecanismos do sono, faz tempo que os cientistas acordaram para uma verdade básica o sono não é apenas um outro nome para repouso. É um estado fisiológico especial — as ondas cerebrais se alteram em relação ao período de vigília os músculos chegam à condição atonia, ou seja, total inércia; os globos oculares se movimentam como se a pessoa acompanhasse algo com olhar, embora as pálpebras estejam fechadas.
Basicamente são esses — ondas cerebrais, estado muscular e movimento dos olhos — os parâmetros usados pelos cientistas para caracterizar clinicamente o sono. Mas existe uma série de outros indicadores, como taxas hormonais, ritmo da respiração, freqüência de batimentos cardíacos, que também mudam quando se dorme. Todas essas alterações devem fazer sentido para o organismo. Afinal, as pessoas pagam um alto preço quando ousam passar as 24 horas do dia em claro. Está provado que, sem a cota diária de sono, a capacidade de prestar atenção diminui drasticamente. Em compensação, fica-se mais agressivo e sensível. E, após mais de dois dias sem dormir, o corpo se entrega a dores, como se tivesse levado uma surra. Há 2 400 anos, Aristóteles já descrevia o sono como uma necessidade do organismo. O filósofo grego só errou ao atribuí-lo ao coração. Hoje se sabe que o sono é uma atividade cerebral. A palavra "atividade", aliás, vem a calhar, porque a rigor o cérebro nunca descansa — nem no sono, como o cientista alemão Hans Berger provou pela primeira vez na década de 20. Com um aparelho de eletroencefalograma — desenvolvido a seu pedido pelo cunhado engenheiro —, Berger demonstrou que as ondas cerebrais jamais cessam. A partir daí, muitos cientistas voltaram-se ao desafio de entender o sono. A primeira descoberta importante, porém, só se deu na década de 50, quando o estudante americano, filho de poloneses, Eugene Aserinsky, cumprindo uma tarefa determinada por seu professor, o fisiologista Nathaniel Kleitman, foi espiar crianças adormecidas. Meticuloso, Aserinsky anotou tudo o que viu, inclusive que os olhos das crianças mexiam-se freneticamente durante alguns momentos, a intervalos de hora e meia. Kleitmam desconfiou da informação do aluno. Parecia notável demais para nunca ter sido percebido. Percebido, de fato, tinha sido. Mas ninguém Ihe dera importância. Sorte - da dupla Aserinsky - Kleitman. Pois o professor não só confirmou o fenômeno, como notou que justamente nesse estágio do sono, chamado a partir de então REM (Rapid Eye Movement, “movimento rápido do olho"), o eletroencefalograma era muito parecido com o de alguém em vigília. Mas, ao mesmo tempo, acordar uma pessoa em pleno estado REM é dificílimo, razão pela qual é também chamado sono paradoxal (Alguns pesquisadores preferem sono dessincronizado, devido ao traçado gráfico das ondas cerebrais.). O sono tem quatro outros estágios, conhecidos como não-REM ou sincronizados. O estágio 1, que pode durar até sete minutos, corresponde à transição da vigília para o sono. "Nessa fase, pode-se despertar por qualquer coisa e ter noção do que acontece diz o neurologista Rubens Reimão chefe do Centro de Distúrbios do Sono, do Hospital Albert Einstein, São Paulo. Nos estágios 2 e 3, o sono vai-se aprofundando cada vez mais, diminui a freqüência das ondas cerebrais e os músculos se relaxam. Enfim, o estágio 4 — o último antes do REM — começa cerca de uma hora depois que se adormece. Parece ter o papel fundamental de restaurar certas funções do corpo — a locomotora, por exemplo. Ou seja, recupera-se aí o desgaste do dia anterior e prepara-se o desempenho do dia seguinte. "O estágio 4 parece estar ligado à atividade física", explica Reimão, "porque sua duração tende a aumentar após um dia de muita ginástica." Já o sono REM é maior após um dia de intensa atividade intelectual. Por isso, os cientistas acreditam que sua função seja a de restaurar o próprio cérebro. Este, aliás, aproveita o período REM para sintetizar neurotransmissores, substâncias que ajudam suas células a enviar os impulsos nervosos. O primeiro sono REM da noite não dura mais de três minutos. Então, volta-se aos estágios 4, 3 e 2, regressivamente, até o ciclo recomeçar. Em cada mudança de um estágio para outro — e não só nessas horas —, o corpo muda de posição. Pode-se despertar de manhã com a sensação de ter dormido "como uma pedra", mas isso não significa, na verdade, ausência de movimento. Um adulto normal mexe-se no sono dezoito vezes, em média. "O sono tem de três a seis ciclos", esclarece Reimão, que estuda o assunto há quase uma década e já trabalhou num dos maiores laboratórios de sono, nos Estados Unidos. "A cada volta, aumenta a proporção de sono REM, a ponto de, no último ciclo, durar cerca de uma hora." O que mais intriga os cientistas é o fato de os sonhos acontecerem justamente no estágio REM, embora também se possa sonhar em qualquer outro estágio. Em experiências, 95 por cento das pessoas acordadas nessa fase lembravam-se de um sonho; o mesmo só acontecia com uma em cada dez pessoas despertadas em outros períodos. Outra característica do sono REM, a atonia ou inércia muscular, tem a ver, aparentemente, com o ato de sonhar. Suspeita-se que o cérebro bloqueia os comandos para os músculos — exceto os dos olhos, do coração e dos envolvidos na respiração — a fim de evitar que o corpo adormecido manifeste o sonho em movimentos eventualmente perigosos para o sonhador e para quem estiver a seu lado. A agitação corporal durante um sonho indica uma ocorrência relativamente rara — o sonho em estágio não - REM. Cientistas franceses localizaram as células nervosas encarregadas de realizar o bloqueio muscular em pleno tronco cerebral — região que liga o cérebro à espinha. Ao extrair tais células de gatos, estes passaram a se movimentar no estágio REM como se estivessem brigando ou lambendo pratos invisíveis — enfim, expressavam com o corpo aquilo que sonhavam. Existe um sem - número de teorias e hipóteses para explicar o ponto de vista neurológico porque se sonha. Cientistas americanos chegaram a sugerir que, como no sonho REM o cérebro está hiperestimulado ocorreriam ao acaso comunicações entre as células nervosas. Esse contato casual, como se as células esbarrassem sem querer entre si, produziria os sonhos. A psicanálise, de seu lado, rejeita a idéia de que sonho possa não ter função, embora não se pronuncie sobre seus mecanismo fisiológicos. Para Sigmund Freud, fundador da Psicanálise, todo sonho manifesta, na linguagem cifrada do inconsciente, um desejo e um temor. Tanta importância ele atribuía às mensagens contidas num sonho para autoconhecimento do indivíduo que comparava um sonho não interpretado a uma carta importante que se joga fora sem abrir. O fato é que todos sonham, embora nem sempre se consiga recordar os sonhos inteiros — algo que Freud explica como uma espécie de censura interna. Já que o REM é o sono dos sonhos, pode-se afirmar que os maiores sonhadores são os bebês: não só eles dormem 17 das 24 horas do dia com quase a metade desse sono é REM.
No adulto, que dorme cerca de sete horas, apenas um quarto do tempo de sono é reservado aos sonhos. A clássica recomendação de dormir sete a oito horas por noite não tem fundamento na Medicina. "A predisposição para dormir um número maior ou menor de horas é herdada", explica o médico Rubens Reimão. "Sete horas é apenas uma média estatística." O problema de quem só se satisfaz dormindo nove ou dez horas não é de saúde mas de imagem pública.Quanto mais uma sociedade valoriza o trabalho, a atividade, menos bem-vistos são os dorminhocos. Na França, até o século XVII, antes ainda, portanto, da Revolução Industrial, o verbo rever (sonhar) queria dizer algo ruim— vagabundear. Herança desse preconceito é a crença, comprovadamente falsa, de que pessoas "superiores" (gênios, por exemplo) dormem pouco. Napoleão Bonaparte — o exemplo mais citado nesse contexto, com suas escassas quatro horas de sono por noite — teria afirmado que "os homens precisam dormir seis horas; as mulheres, sete; os imbecis, oito", frase que a ciência se encarregaria de provar pouco inteligente. Pessoas idosas tendem a dormir menos e nem por isso são mais bem - dotadas. Mas não é só a duração média do sono que parece determinada geneticamente — a hora em que se vai para a cama também. A Cronobiologia — recente área do conhecimento que estuda a interação do tempo com os ritmos do organismo — divide as pessoas em três tipos, de acordo com seu sono: os indiferentes, os vespertinos e os matutinos. Os primeiros, a imensa maioria, são capazes de se habituar a dormir e acordar, em qualquer horário, o que não quer dizer que sejam capazes de adormecer a qualquer momento.
Os vespertinos — um em dez — têm os ciclos de produção de hormônios ligeiramente atrasados em relação aos demais; por isso, o pico de seu desempenho físico e mental ocorre à tarde e à noite. O vespertino não deixa de acordar cedo, se necessário; mas, se possível, ficará na cama até o meio - dia. "Finalmente, existem os matutinos como eu", define-se José Cipolla-Neto, neurofisiologista da Faculdade de Ciências Biomédicas da USP. "O matutino, que representa 15 por cento dos casos, acorda espontaneamente por volta das 6 da manhã, mas, em compensação, tende a ficar imprestável após as 23 horas." Essa classificação nada tem de comportamental, garante Cipolla: "Basta medir os hormônios de alguém para determinar seus picos de fadiga”. Até onde os pesquisadores, conseguem verificar essas coisas, todos os vertebrados são bimodais, que dizer, sentem sono duas vezes por dia. Para os humanos, um desses períodos ocorre entre 12 e 14 horas, tenha, ou não almoçado. De qualquer maneira a célebre siesta espanhola — o hábito de dormir após o almoço — teria aí seu fundamento orgânico. "O importante é que o ritmo biológico não muda", diz Cipolla. "Assim, pelo fato de ter evoluído como um animal diurno, o homem jamais conseguirá trocar a noite pelo dia sem prejuízos para saúde." Quem tem um trabalho noturno recupera de dia apenas 10 por cento do sono REM, mesmo que durma tanto quanto dormiria à noite. Resultado: tendência a problemas cardíacos, gástricos, sem falar no estresse emocional. De todo modo, os cientistas sabem menos do que gostariam sobre o que acontece com o organismo inteiro durante o sono. “O significado do sono ainda é uma incógnita, apesar da imensa quantidade de informação sobre suas manifestações e mecanismos", admite o fisiologista Cesar Timo-Iaría, da Faculdade de Medicina da USP, "seduzido há mais de trinta anos pelo assunto". O sistema nervoso, diz o professor sofre alterações funcionais muito tensas durante o sono, mas. ao contrário do que se imagina, algumas regiões do encéfalo tornam-se mais ativas nesse estado. Uma das teorias mais curiosas sugere que o sono é o estado mais importante do organismo: em vez de o sono servir para nos manter ativos na vigília, nesta o cérebro acordaria o restante do corpo apenas para a pessoa buscar alimento e sobreviver. A verdade — ao menos a verdade aceita até agora — é que vigília do sono não são estados opostos, mas complementares, maneiras diferentes de existir.






Problemas na cama
Uma lista de espera das mais concorridas é a de quem pretende dormir no Centro de Distúrbios do Sono, criado há dois anos no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Em seis das sete noites da semana, seus leitos estão ocupados. Afinal, três em cada dez pessoas têm problemas de sono. Para descobrir o que Ihes estraga a noite, o jeito é dormir com eletrodos colados no corpo e ligados a um polígrafo, aparelho que mede ondas cerebrais, tensão muscular, movimento dos olhos e ainda a respiração nasal e bucal. O resultado é um calhamaço que pesa mais de 6 quilos — 1500 páginas de gráficos que o neurologista Rubens Reimão lê atentamente. "Cada distúrbio está relacionado a certo estágio do sono", diz ele. "Por exemplo, o sonambulismo, em que se fica metade dormindo e metade acordado, é típico do estágio 2." Reimão, que nunca teve a menor dificuldade para dormir, relaciona mais de cinqüenta distúrbios conhecidos do sono. "Quem reclama de muita sonolência pode estar com narcolepsia, uma alteração bioquímica no cérebro, hoje controlada com remédios", exemplifica o médico. Mas quem boceja muito de dia pode ser que ronque e tenha dificuldade respiratória à noite — e perde o sono por isso. Essa dificuldade respiratória ou apnéia é uma obstrução parcial da faringe: fica-se sem respirar por alguns segundos, até o cérebro reclamar, e daí se puxa o ar num único golpe forçado. A maioria se queixa mesmo, porém, de insônia, que geralmente tem causas fisiológicas. O psiquiatra Ricardo Moreno, do Hospital das Clinicas de São Paulo, acredita que a ansiedade também é uma das grandes culpadas pela dificuldade de se adormecer. "Já quem sofre de depressão dorme rapidamente, mas acorda dali a poucas horas", compara o médico. O curioso é que, acordando-se essas pessoas em plena fase REM do sono, quando ocorrem os sonhos, a depressão vai embora. "Isso só está sendo feito como experiência", ressalta Moreno, "pois não sabemos por que, impedindo alguém de sonhar, interrompemos o quadro depressivo."



Mitos noturnos
A verdade às vezes cochila, quando se fala em sono. E quem acredita em tudo o que se ouve por aí pode estar dormindo no ponto. Eis alguns enganos mais comuns a respeito.

Leite morno, à noite, ajuda a pegar no sono De fato, o leite possui um aminoácido que induz o sono. Mas seria preciso beber vários litros para obter o efeito. Além disso, a reação leva algumas horas para se manifestar. Logo, supõe-se que o copo de leite só teria efeitos psicológicos.

Bebida alcoólica facilita o sonoMeia-verdade: o álcool ajuda adormecer logo, mas sua ação no cérebro impede que se alcancem os estágios mais profundos do sono. Resultado: acorda-se com a sensação de ressaca.

Quem faz ginástica dorme melhorVerdade apenas para os que se exercitam de manhã ou à tarde — o que diminui a ansiedade, graças à liberação de hormônios de efeito analgésico, como endorfinas. Mas quem freqüenta academias à noite estimula tanto o organismo que o sono tende a demorar para chegar.

Existem pessoas com sono leve
Todas as pessoas passam por estágios de sono mais leve e mais profundo, numa mesma noite. O azar é ser acordado justamente quando se está nos primeiros estágios de sono, que são os mais leves.

Dorme-se melhor no frio
Está provado que não se chega a estágios profundos de sono (ou eles duram menos) quando a temperatura ambiente é desagradável. Assim, teoricamente, é tão difícil ter sonhos numa noite de inverno quanto numa noite de verão.

Os fetos e os bebês também sonham

Os bebês sonham? E os fetos?
Sonham mais que os adultos. Os sonhos acontecem no estágio do sono conhecido como REM (sigla em inglês para Movimento Rápido do Olho). Nos adultos, essa fase ocupa cerca de 25% do tempo em que se está adormercido; nos fetos, que dormem, sim, chega a 30% a partir do oitavo mês de gravidez; e nos recém-nascidos, a 50%. Faz sentido: o sonho serve para armazenar na memória fatos que aconteceram no dia ou no passado. Como o aprendizado diário do feto e do bebê é mais intenso que o do adulto, é natural que sonhem mais, pois têm muito mais informações para ordenar.
“Eles sonham com sensações e sons do seu dia-a-dia, mas não com imagens bem definidas”, diz a psicanalista Regina Chu Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “No caso dos bebês é possível que o seio, a amamentação e a fala da mãe estejam presentes”, completa Regina.



É possível controlar seus sonhos?


Tem gente que consegue. Percebe que está sonhando e até altera o rumo da história. É o chamado sonho lúcido, que em geral acontece no estágio REM do sono (Rapid Eye Movement, ou Movimento Rápido dos Olhos) e é usado por alguns psiquiatras para tratar traumas. Se você se jogar de um precipício durante o sonho, por exemplo, pode acordar sem medo de altura.
O pioneiro no estudo desse fenômeno é o pesquisador Stephen LaBerge, do Centro de Pesquisa do Sono da Universidade de Stanford, nos EUA. Ele ficou famoso por causa de um estudo feito em 1978, quando combinou com 15 alunos que fizessem um movimento de olhos (que em geral não ocorre durante o sono) quando notassem que estavam sonhando. E deu certo.
Os estudiosos dizem que qualquer um pode controlar seus sonhos. Manter um diário deles pode ajudar. “Você aprende como eles funcionam e vai perceber com mais facilidade quando estiver sonhando”, escreveu LaBerge no artigo “Como se lembrar de seus sonhos”, publicado no site do Instituto da Lucidez, uma organização criada por ele que reúne bibliografia séria sobre o assunto.

E se... não sonhássemos?

O sonho, que surgiu há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis, é importantíssimo no processo de aprendizado.


Caso o homem não tivesse a capacidade de sonhar, você não estaria lendo esta revista, pois provavelmente ainda estaríamos na Pré-História – na melhor das hipóteses. O sonho, que surgiu há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis, é importantíssimo no processo de aprendizado.
Segundo as suspeitas de alguns cientistas, a atividade mental noturna é também crucial para a preservação da espécie. “Sem sonhar, nossa capacidade intelectual ficaria comprometida”, afirma o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, da Universidade Duke, nos EUA. E o ser humano, esse animal tão frágil diante das ameaças da natureza, não poderia tirar tanto proveito de sua arma mais poderosa – o cérebro. O cenário não seria animador: a ciência evoluiria muito lentamente, viveríamos com medo de tudo e seríamos dominados por outros bichos sonhadores.
Isso tudo aconteceria se a nossa espécie como um todo não pudesse sonhar. Mas o fato é que algumas pessoas realmente não sonham. Elas sofrem de uma doença raríssima, a síndrome de Charcot-Wilbrand, que geralmente surge após um acidente vascular cerebral e costuma vir acompanhada de problemas visuais. Além disso, alguns medicamentos, como os antidepressivos, podem reduzir, principalmente no início do tratamento, a duração da fase REM, que é o estágio do sono no qual ocorrem quase todos os sonhos. No primeiro caso, os resultados podem ser devastadores: amnésia, agressividade e ansiedade são alguns sintomas prováveis. No segundo, os próprios remédios ajudam a controlar os sintomas da falta de sonhos.

Um mundo sem sentido

A confusão mental é a conseqüência mais branda que teríamos de encarar no caos de uma vida sem sonhos
Nobel sem dono
Nós perderíamos a capacidade de resolver problemas . Algumas pesquisas recentes relacionam o sonho aos insights, que são aquelas sacadas geniais que mudam o mundo, como a invenção da roda. O químico alemão Kekulé, apontado como um dos descobridores do benzeno – molécula em forma de anel com 6 átomos de carbono – disse que a descoberta surgiu de um sonho em que viu uma serpente mordendo o próprio rabo.
Você tem medo do quê?
O psicólogo Antti Revonsuo, da Universidade de Turku, na Finlândia, afirma que o sonho serve para simular ameaças reais. Um homem das cavernas, ao sonhar com um predador, teria mais chances de se defender do bicho. Sem sonhos, ficaríamos vulneráveis e teríamos medo de tudo, sem discernimento – tanto faz se a ameaça é um mamute ou uma formiga.
Animais no poder
O homem se firmou como espécie dominante graças às suas habilidades intelectuais. Sem o sonho, o aprendizado ficaria comprometido. Não aprenderíamos a escrever, não teríamos capacidade para desenvolver a agricultura, para inventar o dinheiro, para fabricar armas atômicas... seríamos, enfim, uma espécie sem grandes talentos. E algum outro bicho que sonha – mamíferos e aves – poderia ocupar o nosso trono na natureza.
Mortos pela própria burrice
Na contramão da teoria defendida pelo finlandês Antti, há a tese de que perderíamos o medo. A razão, de novo, é a falta de discernimento. Devido ao fato de não sonhar, não conseguiríamos avaliar direito os perigos envolvidos em nossas decisões. Assim, faríamos coisas muito idiotas que poriam nossa vida em risco o tempo todo – como pular da janela de um prédio atrás de uma nota levada pelo vento.
Assassinos por natureza
Seríamos mais ansiosos, violentos e surtados. Isso porque o sonho serve para solucionar parte dos problemas que não resolvemos no dia-a-dia, como o tiro que temos vontade de dar no cara que faz bobagem no trânsito. Sem essa válvula de escape, ficaríamos inclinados a resolver todos os nossos conflitos e desavenças durante o dia. E as pessoas se matariam – ainda mais – umas às outras.
Confusão mental
Sonhos transformam memórias de curto prazo – o conteúdo de uma aula, por exemplo – em memórias de longo prazo, que podem ser recuperadas no futuro. Sem sonhar, seríamos incapazes de organizar as informações que entram na nossa cabeça. Viveríamos o tempo todo em um estado de sobrecarga mental, sem assimilar nada, como se estivéssemos o tempo todo numa rua de Salvador, no Carnaval, ouvindo 10 trios elétricos ao mesmo tempo.

Sonhos

Sonhos resolvem problema práticos, estimulam a criatividade e, sozinhos, já servem como uma terapia noturna



- Leia mais: Pesadelos
Imagine dois pontinhos. Agora, que você está acordado, eles vão ser só dois pontinhos mesmo. Mas no sono profundo é diferente. Se uma parte do cérebro imagina isso, outra área fica inspirada e cria um par de olhos. Mais outra pega e coloca esses olhos numa face. Se o rosto sair feio, a área mais burra da mente se assusta. E solta um comando mandando você correr. Começa o enredo de um sonho. Louco, mas a realidade não é muito mais sã. Pense em alguma coisa estúpida. "Martelo", por exemplo. Não existe nenhum lugar na sua cabeça com a definição da palavra "martelo". Tudo o que há é um mosaico de referências: a dor no dedo depois de uma martelada infeliz, a imagem da caixa de ferramentas do seu avô... Elas só se juntam de vez em quando para formar uma ideia sólida, igual acontece com os tijolos mentais que constroem os sonhos. A realidade e o sonhar, na verdade, se completam. E a ciência está descobrindo que uma não existe sem a outra. Vire a página para saber o que os sonhos realmente são. Isso se você não estiver sonhando neste momento.

Você tem 3 vidas paralelas. Uma é esta aqui, de quando você está acordado. Outra é o sono. O sonho é a terceira: duas horas por noite em que o corpo está paralisado, mas algumas áreas do cérebro ficam mais aceleradas do que o normal. Só que de um jeito diferente: de dia, a parte do cérebro que mais trabalha é o gerentão da mente: o córtex pré-frontal, o setor de massa cinzenta logo atrás da sua testa responsável pelo pensamento racional. No sonho é o contrário: essa área apaga e o resto funciona a toda.

Para entender melhor, pense no cérebro como uma escola. De samba. São várias áreas (ou alas, no caso) fazendo tarefas diferentes. Na vida acordada, cada uma faz seu trabalho bonitinho, sob o comando do córtex pré-frontal. Mas à noite é anarquia pura. Livres do controle da gerência, áreas que nunca interagem de dia começam a trocar informações feito loucas. Tipo: passistas da ala das memórias antigas se embrenham na do córtex visual (a parte que processa imagens). Nisso as memórias incitam a produção de um cenário do passado. E você pode sonhar com um lugar bonito para onde foi aos 6 anos de idade. Depois gente de outra ala, a das emoções profundas, aparece por lá. Aí o amor da sua vida pipoca naquela paisagem. E a festa na sua cabeça vai entrando pela noite. Cada vez mais doida.

Chega uma hora que ninguém é de ninguém. Tudo fica misturado. Aí você pode sonhar que seu escritório fica num barco, e que esse barco navega numa avenida. Quer sair voando? Beleza. Nem o pensamento racional nem a gravidade estão lá para impedir. A memória de curto prazo, que depende diretamente do córtex pré-frontal, está desligada também. Então os rostos mudam o tempo todo, você não consegue ler direito... Até por isso seu avatar do sonho é sempre disléxico.

Parece só uma farra mental. Mas não: os sonhos têm um propósito. E justamente o mais inesperado: eles tecem a realidade.

Como? Para começar, eles resolvem seus problemas. Foi o que concluiu um dos neurocientistas mais respeitados do mundo, Robert Stickgold, de Harvard. A base para isso foi uma experiência simples, feita neste ano. A equipe de Stickgold colocou 100 voluntários para andar num labirinto virtual, um daqueles 3D, de jogos tipo Counter Strike. O grupo foi posto para treinar as manhas do labirinto, aprender a navegar nele, por algum tempo. Depois deram um intervalo de 5 horas e chamaram o pessoal de volta para uma prova: ver quem conseguia achar a saída do labirinto mais rápido. Mas tinha um detalhe: os pesquisadores colocaram metade dos voluntários para tirar um cochilo de duas horas. O resto ficou acordado. Na volta, o time dos dormidos se deu ligeiramente melhor que o dos despertos - demoravam alguns segundos a menos para encontrar a saída.

Até aí, nada de mais. Mas veio uma surpresa. Entre os que foram dormir, alguns sonharam com o jogo. Esses tinham virado Ayrtons Sennas do labirinto: melhoraram seu tempo 10 vezes mais que os outros. Os cientistas ficaram eufóricos. Mais ainda depois de ler os relatos dos sonhadores. "O jogo me fez sonhar com uma caverna que visitei - e no sonho ela era tipo... tipo um labirinto", disse um. "Só ouvi a musiquinha do jogo no sonho", falou outro. Mas como isso pôde melhorar o desempenho deles?

Para Stickgold, essas imagens mentais eram apenas uma sombra do que o cérebro dos voluntários fazia de verdade. E o que ele fazia era processar o labirinto no meio da balbúrdia dos sonhos. No caso do rapaz que sonhou com a caverna, por exemplo, estava claro que o jogo se fundia às memórias antigas dele. Era como se a experiência nova, a de aprender a se virar no labirinto, estivesse entrando no meio da escola de samba desgovernada.

Stickgold imagina que, quando o cérebro digere alguma experiência dessa forma, ele faz algo especial: extrai o que há de mais importante nessa experiência. Aí ela fica mais compreensível. E você aprende algo novo sem se dar conta.

A conclusão é ambiciosa. Para o neurocientista, isso acontece com tudo o que o cérebro capta. Nada deixa de passar pela festa dos sonhos. É nela que peças do presente se encaixam com as do passado, formando a imagem mental que temos do mundo. Nessa imagem está tudo o que você sabe, do significado da palavra "martelo" até seus amores e traumas.

Não há uma prova definitiva de que é assim mesmo que tudo funciona. Mas as experiências de laboratório indicam que sim. E as da vida real também. É comum, por exemplo, acordar com uma ideia nova. Prontinha. Já aconteceu com você? Com Paul McCartney aconteceu. Numa manhã de 1965, ele acordou com uma música na cabeça, foi para o piano e tirou a melodia. Ficou estarrecido. "Não acreditava que ela pudesse ser minha", disse. Era, sim. E acabou gravada com o nome de Yesterday. Coincidência uma obra onírica ter virado o maior sucesso comercial da maior banda da história? Talvez não. Satisfaction, a mais célebre dos Stones, também apareceu num sonho - de Keith Richards.

Mas ninguém teve sonhos tão célebres quanto outro sujeito: Freud, que escreveu sobre o assunto usando em grande parte os próprios sonhos como base. Apesar dos avanços da neurociência, suas ideias sobre o mundo onírico continuam respeitadas. Faz sentido? Sim. E não.

A teoria de Freud: os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos. Ponto. Vários sonhos, de fato, parecem ser isso mesmo. Se você está com sede, provavelmente vai sonhar que está bebendo água.

Mas o problema nela é óbvio. A maior parte dos sonhos não tem nada a ver com desejo. Uns são tão banais que não podem entrar nessa classificação. Outros são pesadelos. Alguém deseja morrer afogado por uma daquelas ondas gigantes de sonho? Ele sabia que não. Mas batia o pé: os desejos estariam quase sempre disfarçados. Sigmund explica: "Um dia falei para uma paciente, a mais inteligente das minhas sonhadoras, que os sonhos são a realização de desejos. No dia seguinte ela me contou ter sonhado que estava indo viajar com a madrasta", escreveu em seu A Interpretação dos Sonhos, de 1899. "Mas eu sabia que, antes, ela tinha protestado contra o fato de que teria de passar o verão na mesma vizinhança que a madrasta. De acordo com o sonho, então, eu estava errado. Mas era o desejo dela que eu estivesse errado, e esse desejo o sonho mostrou realizado." Acredite. Se quiser.

Por essas boa parte dos pesquisadores de hoje prefere tratar Freud mais como literatura do que como ciência. A gente sonha com água quando está com sede? Usando as analogias deste texto, a explicação seria: o pessoal do sistema límbico foi até a ala do córtex visual e disse que seu corpo estava com sede. O córtex pegou e criou uma imagem que tem a ver com sede. Sem drama. O sonho da paciente inteligente? Bom, às vezes uma viagem de trem com a madrasta é só uma viagem de trem com a madrasta...

Mas alguns cientistas defendem que as pesquisas modernas confirmaram muito do que Freud pensava. Allen Braun, um neurologista célebre, faz uma defesa sólida: "O fato de as regiões do cérebro responsáveis pela memória emocional e de longo prazo ficarem supercarregadas enquanto as do pensamento racional repousam pode ser visto em termos freudianos como o ‘ego’ saindo do comando e dando liberdade ao inconsciente", diz. Mas ele também acha a teoria de Freud defasada.

A interpretação moderna dos sonhos é mais complexa. Quem estuda a mente hoje olha com atenção para os detalhes do sonho de cada pessoa, sem correr atrás de interpretações genéricas. Usar símbolos universais, do tipo "sonhar com água significa x ou y", então, nem pensar. Isso seria subestimar o maior talento do cérebro sonhador : a capacidade de criar metáforas surpreendentes.

Ann Faraday, uma psicóloga americana especializada em sonhos, tem um bom exemplo dessa habilidade poética. Ela estava para ser entrevistada no programa de rádio de um certo Long John Nebel. Aí, na noite anterior, sonhou que um sujeito de ceroulas a ameaçava com uma metralhadora. Símbolo fálico, desejo sexual enrustido... Tem tudo aí. Mas não. A interpretação dela foi bem mais direta. Long John é "ceroula" em inglês, e o apresentador era conhecido por ser particularmente ferino. O sujeito de roupas íntimas, então, era uma metáfora que o cérebro dela arranjou para o nome do sujeito; e a metralhadora, uma para o medo que ela sentia de ser agredida na entrevista. Só isso.

E tudo isso. "Podemos aprender sobre as emoções que nos guiam na vida real se prestarmos atenção nos sonhos", diz o psiquiatra J. Allan Hobson, de Harvard. O exercício aí é tentar decifrar as metáforas dos sonhos, encontrar quais elementos da sua vida estão por trás delas - uma tarefa profunda e pessoal em que nenhum dos dicionários de sonhos já feitos desde a invenção da escrita vai poder ajudar.

E nem sempre será fácil. A psicóloga americana Rosalind Cartwright, por exemplo, concluiu algo paradoxal com base em anos de estudos: que os rejeitados num relacionamento que mais sonham com o ex são os que se recuperam mais rápido do baque da separação. Isso casa bem com as pesquisas de Stickgold: talvez seja o cérebro maquinando formas de lidar com o rompimento, dando um jeito de aliviar a dor. Mas não dá para ter certeza, só especular. Ainda há certas coisas entre a vida real e os sonhos que estão além da ciência. Para começar, não dá nem para saber se você vai acordar daqui a pouco e descobrir que tudo isso foi um sonho. Mas ok. No fundo, dá na mesma.
A incepção
Os invasores de sonhos do filme A Origem deixaram muitas pulgas atrás de muitas orelhas. Espante algumas

Dá pra pôr ideias na mente alheia?
Sugestões bem dadas antes de dormir podem influenciar o sonho dos outros. Mas nada garante que forçar alguém a sonhar com um carro vai convencê-lo a comprar um, por exemplo.

Dá pra sonhar em um sonho?
É o "falso espertar": você acha que acordou, mas ainda está dormindo.

Dá pra morrer sonhando?
Dá, mas não pelo sonho, mas porque se morre dormindo.

Nossos traumas voltam nos sonhos?
Em fases difíceis, os sonhos recuperam nossas referências máximas de estresse. Para Leonardo DiCaprio em A Origem, era a esposa falecida; já veteranos sonham com a guerra.

Existem sonhos coletivos?
Fora os do tipo Martin Luther King, só ficção científica mesmo.

Sonho dura mais que o sono?
Apesar de o roteiro de A Origem discordar, o tempo do sonho é o mesmo do relógio.

O que é a fase de sono REM?
São as partes do sono em que o cérebro fica mais ativo do que de dia. É nelas que ocorre a maioria dos sonhos. REM é a sigla em inglês para um efeito colateral dessas fases: "movimento rápido dos olhos".

Só lembramos o fim dos sonhos?
Durante os sonhos, a serotonina, neuromodulador que controla a memória, não está presente. A tendência é lembrar só os sonhos do fim do sono, quando ela volta a ser produzida pelo nosso cérebro.

Quantos sonhos temos à noite?
Basicamente, é o número de fases REM: 4 ou 5 vezes por dormida. Eles começam curtos (3 a 4 minutos) e vão ficando maiores conforme a noite avança, chegando a quase uma hora no início da manhã.

Por que nem todos se lembram dos sonhos?
Não é magia, é psicologia: lembra dos sonhos quem decidiu que eles valem a pena ser lembrados. Com motivação, quem esquece seus sonhos vai se lembrar deles - ao menos dos que surgirem no fim do sono.


Os sonhos decifrados

Por que sonhamos? Para que serve o sonho? Ninguém até hoje matou a charada. Para desvendar um dos maiores mistérios da mente, neurologia e psicanálise agora caminham juntas.


Já pensou em visitar um lugar em que as leis da física valem tanto quanto uma nota de 3 reais? Onde você pode beijar uma estrela de cinema segundos antes de sair voando, cair e morrer, para levantar em seguida e ir para o trabalho de pijama? Num universo em que a lógica não tem vez, mas tudo parece fazer sentido – até você acordar e não entender nada do que se passou no momento anterior?
Você e a humanidade inteira são habitués desse lugar mental – o domínio dos sonhos. Supondo que uma pessoa passe um terço do dia dormindo e ocupe um quinto do tempo de repouso sonhando, ela passa um fim de semana por mês totalmente desligada do mundo consciente. Em uma existência de 75 anos, os sonhos correspondem a nada menos que 5 anos completos.
Apesar de termos tanta familiaridade com os sonhos, poucos fenômenos são tão intrigantes quanto eles. Seus mistérios atormentam o homem desde sempre – e ainda não há nenhuma resposta 100% convincente para esses enigmas. Entre os antigos, os sonhos costumavam ser interpretados como mensagens de outros mundos. Com a psicanálise, ganharam destaque como o caminho mais privilegiado para decifrar o inconsciente. Os avanços científicos mais recentes são promissores: graças ao desenvolvimento das neurociências, já foram desvendados alguns mecanismos cerebrais e funções da experiência onírica. Sabe-se, por exemplo, que os devaneios noturnos ajudam, e muito, a consolidar memórias. Nesta reportagem, você vai acompanhar a trajetória do pensamento humano no maravilhoso mundo dos sonhos. Por enquanto, fique de olhos bem abertos e aproveite a viagem.
Ponte para o divino
Em 332 a.C., Alexandre, o Grande, tentava invadir a cidade fenícia de Tiro (no atual Líbano). Apesar da supremacia de seu exército, a localização da cidade – que ficava em uma ilha a quase 1 quilômetro da costa – atrapalhou os planos do conquistador. Depois de 7 meses de cerco, os soldados estavam sem ânimo e o próprio Alexandre começou a pensar na possibilidade de desistir da empreitada. Antes de bater em retirada, no entanto, ele teve um sonho enigmático com um sátiro dançando sobre o seu escudo. A imagem da figura mitológica ficou martelando tanto em sua cabeça no dia seguinte que ele resolveu se aconselhar com um guia espiritual que acompanhava suas tropas. Depois de ouvir o relato do sonho, o adivinho o interpretou como um sinal de que o cerco deveria ser ainda mais agressivo, pois a cidade seria conquistada em breve. Ele chegou a essa conclusão após desmembrar a palavra sátiro em duas partes – o resultado foi a expressão sa Turos, que pode ser traduzida do grego como “Tiro é sua”. Alexandre acreditou no guru, fechou o cerco e, dito e feito, invadiu Tiro.
Esse episódio foi descrito pelo grego Artemidoro de Daldis na obra Oneirocrítica, escrita no século 2 da era cristã, e reproduzido por Sigmund Freud no livro A Interpretação dos Sonhos. Artemidoro e Ambrósio Teodósio Macróbio – pensador latino que viveu entre os séculos 4 e 5 – colheram relatos de pessoas e, após analisar esse material, dividiram os sonhos em duas categorias principais. Na primeira se encaixavam aqueles que reproduziam fatos do cotidiano do sonhador. Na segunda entravam aqueles que traziam alguma mensagem sobre o futuro, que podia se apresentar de forma direta – quando o próprio acontecimento é imaginado – ou simbólica, como o sonho de Alexandre, que precisou ser decifrado para revelar seu conteúdo oculto.
Artemidoro e Macróbio são considerados os principais pesquisadores sobre os sonhos na Antiguidade, mas não foram os únicos. Aristóteles, que viveu no século 4 a.C., já falava sobre o assunto em sua obra. “Ele sabia que o sonho converte informações sem muita importância percebidas durante o sono em sensações fortes”, escreveu Freud. Uma pessoa com febre, por exemplo, pode sonhar que está sendo queimada viva numa fogueira. O filósofo também teve outra sacada genial, que seria mais tarde confirmada pelas neurociências: segundo ele, os movimentos corporais que ocorrem durante algumas fases do sono têm relação direta com os sonhos.
Os estudos de Artemidoro, Macróbio e Aristóteles revelam uma preocupação pouco comum entre nossos antepassados. O sonho não era visto como uma produção da mente humana, mas como um fenômeno sobrenatural. A mitologia dos próprios gregos, por exemplo, delega a responsabilidade dos sonhos aos filhos de Hypnos, deus do sono, que por sua vez era irmão gêmeo de Tanatos, deus da morte. Entre os filhos de Hypnos estavam o célebre Morfeu, que trazia os sonhos dos homens; Icelus, que provocava os sonhos nos animais; e Phantasus, que despertava sonhos nas coisas inanimadas. Outro deus relacionado aos sonhos era Esculápio, cultuado em templos aonde as pessoas doentes iam para receber a cura divina durante os sonhos.
Outras crenças, tanto antigas quanto atuais, atribuem importância ao conteúdo dos sonhos. “A mitologia em que o sonho tem um papel mais fundamental é a das culturas xamânicas”, diz Malena Contrera, especialista em mitologia e professora da Universidade Paulista. Entre algumas, não há distinção entre o sonho e a realidade. No livro O Ramo de Ouro, o antropólogo britânico James George Frazer cita casos como o da tribo macusi, da Guiana: “Um índio doente sonhou que seu patrão o havia forçado a passar com sua canoa por uma série de cataratas e, quando acordou, reclamou que o mestre não teve piedade ao obrigar um inválido a sair e pegar no batente durante a noite”, escreveu Frazer. O autor cita ainda o exemplo dos dyak, indígenas que vivem na ilha de Bornéu (Indonésia). Eles acreditam que o espírito pode se desgarrar do corpo durante o sonho: “Quando um dyak sonha que caiu na água, ele é enviado a um feiticeiro para que este pesque o espírito de volta”.
Também era comum associar os sonhos a mensagens divinas. Em episódios da Bíblia, por exemplo, vários personagens recebem recados de Deus durante os sonhos. No capítulo 41 do Gênesis, José, capturado como escravo no Egito, se apresenta ao faraó como uma espécie de intermediário de Deus. Ele decifra um sonho do soberano, no qual 7 vacas magras devoram 7 vacas gordas. Para José, trata-se de uma mensagem clara: os egípcios deveriam se preparar, pois depois de 7 anos de abundância viriam outros tantos de fome. Só a passagem de todos os anos de escassez bastou para que o hebreu fosse levado a sério – e finalmente nomeado vice-rei do Egito. Pouquíssimo tempo, se comparado à demora da humanidade para adotar uma postura menos mística em relação ao estudo dos sonhos.
De Darwin à psicanálise
As interpretações sobrenaturais dos sonhos perderam força a partir do século 19, quando a ciência começou a se ocupar mais atentamente da questão. Um dos primeiros indícios dessa transformação está no livro A Descendência do Homem, de Charles Darwin, publicado em 1871. Nessa obra, o autor do célebre A Origem das Espécies, de 1859, faz algumas observações sobre a nossa capacidade de sonhar e sugere que não estamos sozinhos no reino de Morfeu. “Cachorros, gatos, cavalos e provavelmente todos os animais superiores, até mesmo as aves, têm sonhos vívidos, o que é mostrado por seus movimentos e pelos sons que emitem. Por isso devemos admitir que eles têm algum poder de imaginação”, escreveu. Ele acertou na mosca – hoje os cientistas sabem que praticamente todos os mamíferos e aves têm a capacidade de sonhar.
Darwin foi contemporâneo de pesquisadores como a psicóloga americana Mary Calkins. No artigo Estatística dos Sonhos, publicado em 1893, ela apresenta um método usado até hoje: durante o sono, quando seus pacientes começavam a mover algumas partes do corpo, ela os acordava e pedia que relatassem o que estavam sonhando. Calkins descobriu, entre outras coisas, que a maioria dos sonhos acontecia na segunda metade do período de sono e que 89% dos relatos tinham relação direta com os eventos do dia anterior. Houve vários outros estudos sobre os sonhos na segunda metade do século 19, mas eles não fizeram muito sucesso. “Descobertas importantes como essa foram enterradas pelo impacto da psicanálise”, escreveram os neurologistas César Timo-Iaria – que morreu no ano passado – e Ângela do Valle, da USP, em artigo publicado em 2004 na revista Hypnos, da PUC-SP.
Depois de Freud, de fato, nada seria como antes. O criador da psicanálise inaugurou um novo campo do saber, distinto da medicina, ao publicar A Interpretação dos Sonhos, em 1900 – a data correta é 1899, mas ele pediu ao editor que alterasse o ano para simbolizar sua pesquisa como o marco de um novo século. Depois de elaborar sua teoria sobre o inconsciente, Freud apontou os sonhos como uma “via régia” ou “estrada real” para o conteúdo oculto em nossas mentes. À noite, depois de fechar os olhos, deixamos aflorar os desejos que reprimimos quando estamos acordados. Mas isso não acontece de forma direta – quem deseja cometer um crime, por exemplo, não adota necessariamente um comportamento ilegal no sonho.
Freud atribui ao sonho um caráter simbólico, formado a partir de dois mecanismos básicos: a condensação e o deslocamento, que servem para distorcer o desejo reprimido – ou recalque, como preferem os psicanalistas – e driblar a censura que nos impomos, no sono ou na vigília. A condensação é um processo de síntese (um sonho relatado em um parágrafo pode render muitas páginas de interpretação) e o deslocamento transfere a importância do tema em destaque para outro sem relevância (um marido infiel pode não sonhar com a amante, mas com as cortinas do quarto de hotel onde se encontram).
Nas décadas seguintes, a psicanálise foi debatida, modificada e ampliada por vários pesquisadores. Um deles foi Carl Gustav Jung, acolhido inicialmente por Freud como seu discípulo, mas que depois se afastou do mestre e criou sua própria teoria. Inclusive no que diz respeito ao sonhos. “Para Jung, o sonho é um mecanismo compensatório da psique, e a realização de desejos reprimidos é apenas um aspecto dessa compensação”, diz a psicóloga Marion Gallbach, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. Ela dá um exemplo para ilustrar o conceito: “Pessoas na meia-idade que insistem em cultivar a juventude tendem a sonhar com a morte ou com símbolos relacionados ao envelhecimento, como a descida de uma montanha”. Só assim elas caem na real e começam a perceber que a vida, um dia, vai acabar. Outro conceito difundido por Jung foi o de inconsciente coletivo, que contém representações compartilhadas por todos nós – os arquétipos. “O arquétipo materno, por exemplo, é uma predisposição inata para reconhecer a figura da mãe, mesmo quando nascemos e não sabemos o que é uma mãe”, diz Marion. E o que os arquétipos têm a ver com os sonhos? Para Jung, eles ajudam a explicar alguns fenômenos que, vistos de outro ângulo, podem ser considerados sobrenaturais. Um deles é a sincronicidade, ou a ocorrência de sonhos semelhantes em pessoas sem nenhum vínculo. Como já nascemos com várias imagens moldadas em nossas mentes, é razoável imaginar que muitas delas podem se expressar ao mesmo tempo em indivíduos diferentes.
A teoria psicanalítica teve o mérito de desvendar os mecanismos e funções do sonho para, a partir desse conhecimento, permitir o tratamento de distúrbios de comportamento, certo? Não, nem todos pensam assim. “Não acredito na psicanálise como técnica de terapia. Os sonhos revelam alguns conteúdos da vida do indivíduo, mas o fato de relatá-los não cura ninguém de nada”, diz Ângela do Valle, da USP. O psiquiatra Robert Stickgold, da Universidade Harvard, nos EUA, pega mais pesado: “A psicanálise parte de premissas injustificadas e equivocadas, como a de que os sonhos refletem desejos reprimidos. Não há nenhuma evidência real de que isso esteja correto”. Os defensores da psicanálise, é claro, discordam. Mas o fato é que, 14 anos após a morte de Freud, em 1939, os estudos da neurologia jogaram um balde de água fria na interpretação subjetiva dos sonhos.
O ataque científico
O ano de 1953 foi especial para a ciência. Em abril, James Watson e Francis Crick anunciaram na revista Nature a descoberta da estrutura do DNA. Em setembro, Nathaniel Kleitman e seu aluno Eugene Aserinsky, da Universidade de Chicago, publicaram um artigo na revista Science que revolucionou os estudos sobre sonhos. Eles descobriram que, durante várias fases do sono, nós mexemos os olhos como se estivéssemos acordados. O fenômeno foi batizado de sono REM, sigla em inglês para “movimento rápido dos olhos”, e passou a ser associado aos sonhos. Para chegar a essa conclusão, eles usavam um método parecido com aquele usado por Mary Calkins no século 19: acordavam seus pacientes durante a fase REM e pediam que eles relatassem se e com o que haviam sonhado. De 27 relatos, 20 foram de sonhos detalhados e repletos de imagens visuais. Estudos posteriores aprofundaram a descoberta de Kleitman e Aserinsky. Em 1962, o neurofisiologista francês Michel Jouvet descobriu, a partir de experiências com gatos, que o sono REM – e, portanto, o sonho – era controlado por uma parte primitiva do cérebro conhecida como ponte, que não tem relação direta com os centros da emoção. Durante a fase REM, segundo Jouvet, a ponte emite estímulos que se espalham por diversas partes do cérebro, provocando os sonhos.
As conexões entre os neurônios explicavam muita coisa, mas ainda faltava descobrir de onde vinham, afinal, as sensações que passam pela nossa cabeça quando dormimos. E para isso Freud ainda era mais útil do que os neurologistas. Mas não por muito tempo. Em meados da década de 1970, o psiquiatra James Allan Hobson, de Harvard, apresentou um modelo que descartava definitivamente o conteúdo subjetivo dos sonhos. Para ele, o ato de sonhar era o resultado da ação de neurotransmissores que ativavam regiões superiores do cérebro, como o sistema límbico, responsável pelas emoções. Para os pesquisadores que aderiram à causa de Hobson, o sonho era apenas uma seqüência aleatória de imagens geradas pela atividade do nosso cérebro enquanto dormimos.
As descobertas de Hobson desferiram mais um golpe contra a psicanálise. Quando o charuto de Freud parecia definitivamente apagado, alguns estudos realizados a partir da década de 1980 reacenderam a discussão. O psiquiatra Mark Solms, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, fez uma revisão da literatura médica e descobriu 110 casos de pacientes que haviam deixado de sonhar devido a lesões cerebrais. Para surpresa da comunidade científica, todos tinham a ponte cerebral intacta e continuavam tendo sono REM, o que jogou por terra a relação obrigatória entre a experiência onírica e os movimentos oculares rápidos. Para Solms, os sonhos são ativados por outras regiões do cérebro, como as que transformam a percepção concreta em pensamento abstrato. Qualquer semelhança com a psicanálise não é mera coincidência. Afinal, você já sabe que um dos mecanismos do sonho, segundo Freud, é a transformação de desejos ou experiências em símbolos que não têm relação direta com a realidade. As descobertas de Mark Solms fizeram com que os psicanalistas e psicólogos colocassem novamente as mangas de fora e abriram caminho para a criação da neuropsicanálise, uma área do conhecimento que tenta aproveitar as descobertas sobre a fisiologia do cérebro para justificar parte das proposições de Freud. “A psicanálise não tem o objetivo de desvendar os mecanismos fisiológicos do cérebro. Isso é função da neurociência. Mas os fenômenos que emergem desses processos físicos são objeto da investigação psicanalítica”, diz o psicanalista brasileiro Yusaku Soussumi, da Sociedade Internacional de Neuropsicanálise.
Afinal, por que sonhamos?
A resposta mais honesta seria: ninguém sabe ainda. Mas há várias pistas. E uma delas é a relação mais que comprovada entre os sonhos e a memória. Nos últimos anos, vários artigos têm batido na tecla de que o sono REM – durante o qual, sabe-se agora, ocorrem mais de 90% dos sonhos, mas não todos – é importantíssimo no processo de aprendizado. Fazem parte desse time cientistas como Robert Stickgold, de Harvard, e o brasileiro Sidarta Ribeiro, da Universidade Duke, também nos EUA. Este último vem desenvolvendo uma pesquisa que relaciona a expressão de alguns genes ao processo de formação de memórias. Os resultados do estudo indicam que a fase REM ajuda a consolidar memórias recém-adquiridas – sem os sonhos, as informações do dia-a-dia entram por um ouvido e saem pelo outro.
Todos parecem concordar que o sonho é essencial para o bom funcionamento do nosso cérebro. “Sonhar é uma ferramenta cognitiva importantíssima”, diz o neurologista Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo. Mas alguns pesquisadores vão além e afirmam que o sonho é fundamental à nossa sobrevivência. Em um artigo que tem o título sugestivo de A Reinterpretação dos Sonhos, o psicólogo Antti Revonsuo, da Universidade de Turku, na Finlândia, afirma que os sonhos parecem simular ameaças reais que ocorrem no nosso cotidiano. E isso, segundo ele, foi vital para a sobrevivência da nossa espécie – ao sonhar com ameaças, o homem primitivo tinha muito mais chances de se defender em um ambiente hostil. A proposta de Revonsuo faz sentido, mas já foi alvo de críticas. Um time de psicólogos da Universidade de Montreal liderado pela psicóloga Anne Germain afirmou, por exemplo, que um dos furos da teoria é a baixa incidência de sonhos com temática negativa.
Durante o processo evolutivo, o sonho foi incorporado a algumas espécies, mesmo representando um risco real. “Ao desligar-se do mundo completamente, o homem e outras espécies podem ser atacados. Mas ainda assim o sono REM se manteve, o que é um sinal de que os benefícios dessa fase do sono superaram bastante os riscos”, diz o neurologista Rubens Reimão, da USP. Há indícios de que o sono REM e os sonhos teriam aparecido há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis. As aves também têm sono REM, mas com períodos bem mais curtos, de apenas alguns segundos, o que sugere que as espécies de mamíferos – inclusive a nossa – sonham mais do que todas as outras. E para que serve tanto sonho?
“O sono REM mais longo nos mamíferos, em especial nos primatas, pode ter relação com a maior plasticidade das idéias”, diz Sidarta Ribeiro. Ou seja, ao sonhar, nos tornamos capazes de fazer novas associações para resolver tarefas simples ou complexas.
Um dos desafios atuais das neurociências é o estudo do conteúdo dos sonhos. Afinal, é relativamente fácil colher depoimentos de pacientes, mas olhar o cérebro com uma lupa para descobrir exatamente o que se passa lá dentro ainda é uma utopia. “Não acredito que, nos próximos anos, teremos instrumentos específicos para a análise dos sonhos ou dos pensamentos que ocorrem durante a vigília”, diz o psiquiatra Jerome Siegel, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Enquanto isso, dá para arriscar um palpite sobre um futuro em que as pessoas possam controlar o enredo dos próprios sonhos. Há quem creia que isso seja possível agora: o psicólogo americano Stephen LaBerge organiza workshops de indução de sonhos lúcidos por meio da meditação, do relaxamento e da ioga, ante o horror da comunidade científica “séria”. Ainda que a academia torça o nariz para o bicho-grilismo de LaBerge, ela também acredita no potencial do sonho dirigido. “Se as pressões seletivas sobre a nossa espécie diminuírem ainda mais, o fenômeno do sonho lúcido pode ser usado de forma corriqueira como ferramenta de aprendizado”, diz Sidarta Ribeiro. Qualquer pessoa poderia se programar para desenvolver habilidades durante a noite, sem os riscos das experiências reais – se você viu Matrix, sabe que uma simulação de luta pode ensinar quase a mesma coisa que uma pancadaria ao vivo, só que sem os hematomas. Sonhar não custa nada.

5 perguntas sobre os sonhos

Como é o sonho dos cegos?
Quando uma pessoa nasce cega e não tem referências visuais, os sonhos são recheados pelos outros sentidos, como a audição. Mas ela pode formar imagens mentais relativas ao espaço, assim como consegue perceber os caminhos por onde anda durante o dia. Já quem nasce com a visão em ordem e fica cego mais tarde pode ter sonhos com imagens durante a vida toda.
Bebês sonham?
Como eles não falam, não dá para saber com precisão. O sono REM, um dos principais indícios do sonho, está presente em todas as idades. Mas a experiência deve ser bem diferente da vivida por nós, adultos, pois o bebê tem uma consciência em formação, tem emoções, memória e percepção do mundo, mas ainda não tem uma ferramenta essencial para a construção do sonho como ele ocorre nas pessoas adultas: a linguagem.
Sonhamos em cores ou em P&B?
Nossos sonhos, segundo os neurologistas, têm cores. O que pode causar a sensação de um sonho em preto-e-branco é a dificuldade que temos de manter as imagens oníricas na memória – elas vão, quase literalmente, esmaecendo no decorrer do dia. Esse esquecimento é causado pelo fato de o conteúdo dos sonhos ficar armazenado em nossa memória de curta duração. Para evitar que uma cena sensacional seja perdida, o único jeito é mentalizar o sonho várias vezes ao acordar. Se tomar nota, melhor ainda. Só assim eles ficam guardados em uma memória mais duradoura – e colorida.
Existem sonhos premonitórios?
Há muitos indícios de que não. Um deles é a inconsistência dos relatos. “Quem acredita nesse tipo de sonho costuma relatar fatos isolados relativos à experiência premonitória, mas quase nunca diz quantos sonhos não correspondem ao que realmente aconteceu depois”, diz J. Allan Hobson em seu livro Dreaming: An Introduction to the Science of Sleep (“Sonhando: Uma Introdução à Ciência de Dormir”, inédito no Brasil).
Animais sonham?
Sim, com quase 100% de certeza. Os donos de gatos e cachorros sabem que, durante o sono, os bichos se movem e emitem ruídos que sinalizam uma atividade mental intensa. A ciência já descobriu que os mamíferos – e as aves, em menor escala – têm sono REM, portanto concluiu-se que eles sonham de alguma maneira. O único entrave nessa pesquisa é a impossibilidade de relatos dos sujeitos – no caso, os animais.

Terror sob os lençóis

No meio da noite, acordamos sobressaltados, com o coração acelerado e suando frio. Como se não bastasse, demoramos a pegar no sono de novo. Muitas pessoas têm sonhos assustadores com menor ou maior freqüência. As estatísticas mostram que cerca de 50% dos adultos relatam pesadelos ocasionais e 6,9% a 8,1% têm pesadelos crônicos, que detonam o sono sem dar trégua. Outra curiosidade numérica: as mulheres têm dois a 4 pesadelos para cada um relatado pelos homens – mas ainda não há nenhuma explicação para essa diferença entre os sexos. O pesadelo tradicional, sem nenhuma relação direta com fatos do dia anterior, se encaixa na categoria dos distúrbios do sono. Mas há uma outra classe de pesadelos, os pós-traumáticos, que tem algumas nuances importantes. “O conteúdo, na maioria das vezes, é idêntico ao evento que gerou o trauma”, diz o psicólogo Júlio Peres, que desenvolve uma tese de doutorado sobre o tema. E esse tipo mais realista de pesadelo é tiro e queda: mais de 60% das pessoas que passam por algum tipo de experiência traumatizante, como assaltos e agressões físicas, acabam desenvolvendo o problema. Um jeito de liquidar com ele é abrir o jogo e tentar completar, acordado, as histórias que causam a aflição noturna. Esse método, conhecido como Terapia do Ensaio Imaginário, usa o recurso da narrativa para tirar a força das emoções e sensações que teimam em manter viva a chama de uma lembrança ruim. Ninguém esquece o trauma, mas com a terapia dá para tirá-lo de baixo do travesseiro e dormir sem pesadelos.